No ano de 1994, fiz o Estágio
Básico de Escalador Militar(agora Estágio de Combatente
de Montanha) pelo 12º BI na Serra da Piedade. No mesmo ano,
fiz um curso de Escalada Desportiva e, juntamente com meu irmão
Leandro e meus primos Cláudio e Fernando,
decidimos "escalar" a Serra do Curral. Ainda não
fazíamos idéia do que encontraríamos pela frente...
Acordamos bem cedo e estávamos
ao pé da serra, por volta de 8 horas da
manhã, com cordas, boldriers, mosquetões, solteiras, etc.
Nessas fotos ainda estávamos limpos e hidratados...
O início da subida é
bem sujo, com vegetação densa, muita humidade e teias de
aranha. Felizmente apenas por uns 100 metros.
A subida a partir daqui fica mais difícil e a vegetação ressecada atrapalha
bastante. O sol das 10:00 começa a nos incomodar e bebemos vários
Gatorades para driblar o calor do sol sobre as pedras de minério de
ferro. Foi nesse momento que tirei a foto acima à esquerda.
Por volta das 13:00 paramos e comemos algumas batatas fritas e bebemos
mais água e Gatorade, que já estavam no final.
Nesse momento começamos a sentir muito frio já que o
terreno era húmido e como o sol já havia alcançado
o outro lado da serra, estávamos na sombra. Nessa parada
estratégica, tirei as minhas melhores fotografias da
praça do Papa e da cidade de Belo Horizonte...
Essa foto também foi tirada na "parada estratégica", onde
vimos um helicóptero saindo do "Palácio das Mangabeiras",
residência oficial do Governador do Estado de Minas Gerais.
Como já foi veiculado inúmeras vezes na televisão,
a Serra do Curral
sofre com incêndios repetidamente. Esses incêndios
destroem, além da
vegetação, as pedras e rochas que passam a ficar
quebradiças. E por isso, a partir desse ponto, era muito
difícil continuar, a subida era muito íngreme e cheia de
pedras quebradiças.

Um cansaço e uma sensação de desespero
começou a tomar conta de todos. Eu e meu primo Cláudio
percebemos que se não fizéssemos alguma coisa logo,
poderia ser tarde demais e talvez terminassémos como muitas
outras equipes que tantaram subir a Serra do Curral: no
helicóptero do Corpo de Bombeiros. Alguns motoristas e
cobradores, da linha de ônibus que tem o ponto final ao pé
da serra, gritavam para que voltássemos. Mal sabiam eles
que quando olhávamos para baixo e víamos por onde
tínhamos subido, tudo indicava que só havia um caminho a
seguir: para cima!
Resolvi subir e encontrar um local seguro para ancorar a corda e,
assim, todos poderiam subir em segurança. O problema é
que devido às queimadas, não havia árvore forte o
suficiente para suportar o peso de um adulto. Continuei subindo,
passando por beiradas de abismos, segurando em pedras que se
esfarelavam, ou seja, fazendo de tudo para tirar todos daquele lugar.
Depois de quase duas horas, felizmente, consegui que todos subissem e
passamos pela parte mais difícil da subida.
O caminho ainda era inclinado, mas bem menos do que antes, e cheio
de terra e cascalho de minério de ferro. Finalmente, por
volta das 16:00, alcançamos o topo da serra! Quase não
acreditamos... estávamos desidratados, queimaduras solares e
muito cansados. Tiramos algumas fotos para comemorar o feito que
combinamos nunca mais repetir!



Finalmente chegamos à estrada que leva ao pé da serra.
Integrantes da equipe(com sanidade duvidosa):
- Claúdio Marcius Cornélio (primo)
- Cristiano da Cunha Duarte (eu)
- Leandro Rodrigo Cunha Duarte (irmão)
- Fernando Jeferson Cornélio (primo)